Quando nos deparamos com a sala da casa revirada pelo avesso, muito suja, nossa primeira reação é parar e olhar completamente desanimada. Contudo, não adianta, simplesmente não adianta. Cedo ou tarde você vai ter que encarar o caos e, quando você decidir enfrentar, tampouco o fará com uma máquina mágica que limpa e arruma tudo com o piscar de olhos (eita que seria bom, né?). Inevitavelmente você terá que começar por um canto, com paciência e muita, muita determinação.

Assim, também é nosso ser interior, quantas vezes não entramos em parafuso, confusão mental, tristeza que a tudo penetra? E me diga se não dá um “tilte” e você simplesmente trava? Pois bem, aqui também, cedo ou tarde, você terá que começar a limpar a cabeça, começar pelo mais fácil, com pequenas, mas concretas e firmes ações.
Tristeza é como aquela corrente com uma grande bola de ferro que, nos desenhos animados, fica presa na perna da pessoa. Prende, imobiliza, pesa muito e dói de verdade verdadeira. Mas, se é um desenho, será que não podemos repintá-lo, tascar tinta em cima e criar um novo quadro? Nos sabotamos tanto que somos capazes de permitir que o primeiro pensamento que nos venha a mente seja: “Mas eu não sei desenhar.” Ora bolas para o pensar. Tem desenho de tudo quanto é tipo, alguns horríveis que meu neto de 4 anos faria muito melhor mas que mesmo assim fazem sucesso. Por que fazem sucesso? Porque a história é boa! E a história quem escreve é você! Somente você!

Então, seguem algumas ideias para nossos constantes recomeços.
Se está se sentindo só, aproxime-se de crianças, não precisam ser suas, basta permitir que a energia viva destes pequenos seres lhe envolva. Conecte-se à natureza, nem que seja aquela árvore da esquina. Mas se tiver a bênção de tomar um banho de rio ou de mar, será perfeito. Pra que fazer isso? Para se desenergizar e se reenergizar! Tá ligado? rs
Se deixou de acreditar nas relações humanas, seja de que tipo forem, rememore sua vida como num filme acelerado. Segure o controle remoto nas mãos e, conscientemente, dispare o avançar se lembranças ruins lhe assolarem. Mas, nos momentos bons, pause e pense. Grave a imagem. Pense não no que aconteceu depois, porque você poderia se detonar com ideias do tipo “Ah, eu não tenho mais isso…”. Pense apenas em como aquilo foi conquistado, no antes, nos passos que deram certo. Percorra caminhos conducentes à felicidade.
Se deixou de acreditar nos outros, desafie-se a listar algo de bom que os outros têm. Proíba-se de centrar seus pensamentos nas coisas ruins da outra pessoa. Afinal, se deixar, quando a gente tá magoado, dá pra fazer uma lista grande. Então, tem que estar atento e, em vez de olhar a cor de burro quando foge do tecido do vestido, perceber os pequenos e delicados bordados.
Se deixou de acreditar em si mesmo, posso estar totalmente errada, mas, honestamente, não creio que adiante de alguma coisa ficar dizendo para si mesmo que você é bom nisso ou naquilo. Psicólogos que me perdoem, mas não acho que autoestima nenhuma seja fortalecida dessa forma. Num plano humano, pense nos momentos em que você foi amado, que lhe demonstraram ternura e amizade. Se isso aconteceu um dia foi porque você mereceu, algo de bom você despertou nos outros e isso já é suficiente. No plano espiritual, melhor tentar a humildade mesmo . Sinto que assumir sua condição de grão de mostarda e colocar-se nas mãos de seu Criador, lhe engradecerá muito mais do que qualquer elogio que possa receber. Fará com que este grão reluza como ouro.
No mais, boa faxina! Se precisar de ajuda, é só chamar, encararemos juntos, de boa.

Liese Cavalcanti, mãe, avó, mulher apaixonada e pensadora
Liese Cavalcanti, mãe, avó, mulher apaixonada e pensadora

One Pingback/Trackback