A essência da mudança

Que a mudança é a única coisa permanente, todos já sabemos bem. Também sabemos que não dá para controlar a mudança, gerenciá-la, conduzi-la, manipulá-la, defini-la ou qualquer de nossas tentativas de tomar posse do processo da vida. Tudo flui e a realidade vai se descortinando em novos cenários que nem sonhávamos em encontrar.

Não dá para antecipar o que desconhecemos. As circunstâncias se apresentam de um jeito inédito, inesperado e singular, que nossa imaginação, por mais prodigiosa que seja, é incapaz de predizer. Mesmo sabendo de tudo isso, temos a tendência a desejar, às vezes até ardentemente, que “determinada coisa” aconteça, mesmo que seja uma opção no limite de nossa ignorância.

Desejamos aquilo que conhecemos, que é super limitado, porém julgamos que o que queremos é o melhor dos mundos. Quando o que almejamos não acontece, tendemos a considerar aquilo que de fato ocorreu como um erro, algo que não foi desejado, nem esperado, nem antecipado e, portanto, incorreto. De onde tiramos essa ideia?

Frente a um evento da vida que julgamos inadequado, costumamos pedir ardentemente que as circunstâncias mudem. Queremos que aquilo acabe, que não seja mais daquela forma, que o que desejamos aconteça logo para nos tirar daquela dor, angústia ou ansiedade. Essa é a forma como expressamos nosso desejo de controle. Oramos ou vociferamos para um Ser Superior, uma entidade sutil, etérea, enfim algo ou alguém que não é “deste mundo”, imaginando que ao pedirmos ou protestarmos poderemos ser ouvidos e atendidos em nossos desejos. Uma espécie de PROCON cósmico.

E, algumas vezes funciona, pedimos e somos atendidos. Blasfemamos, ameaçamos, brigamos e somos ouvidos. Será a veemência? Será a justiça da causa pela qual lutamos? Será um dia bem humorado do ombudsman universal? Ou será que os eventos já estavam destinados a seguir na direção de nossos desejos?

Outras vezes nossas aspirações não são atendidas. Será falta de mérito? Será que não colocamos a devida fé? Será que nos dirigimos ao departamento cósmico errado? Ou será que os eventos já estavam destinados a ser diferentes de nossos desejos?

Sabe Deus…com o perdão do trocadilho. Seja lá como funcione a teia complexa dos destinos entrelaçados, não parece muito razoável que o cosmo se reorganize em suas múltiplas dimensões para atender a um anseio individual. Não seria muito mais razoável e conveniente que nós é que nos rearranjássemos em relação aos eventos?
Ao invés de pedir para que as circunstâncias e eventos mudem, deveríamos desejar ardentemente e trabalhar com afinco para nos transformarmos frente aos eventos da vida, ou não…como diria um mestre zen.

De fato, esta reflexão não é um debate, é um conjunto de dúvidas com o potencial de nos inspirar para mudar o foco da mudança. Não espero convencer ninguém, mesmo porque não há nada de concreto sobre o fluxo da vida. Tudo são ideias apenas para desarmar nosso habitual ambiente de certezas. Só com dúvida há aprendizagem. Quem tem certeza não tem nada a aprender.

No imenso rio existencial há a corrente e a contra-corrente, como em qualquer rio, aliás. Podemos não saber que rio é esse ou qual a direção é mais adequada, porém somos capazes de perceber se estamos no fluxo ou contra-fluxo dependendo de como lidamos com os acontecimentos. Nadar a favor não exige esforço, podemos simplesmente nos deixar levar. Já nadar contra a corrente vai ser um enorme empenho de energia só para não sair do lugar.

Talvez essa seja uma boa pista para sabermos a quantas andamos, ou nadamos – para manter a analogia. Quem sabe é tempo de praticarmos um dos pedidos essenciais da oração do Pai Nosso: “Que seja feita a Vossa vontade”. Eu até arriscaria a sugerir que acrescentássemos um pedido extra: “Que sejamos capazes de aceitar a Vossa vontade”.

Bem, talvez, e só talvez, não seja o caso de pedirmos, desejarmos ou sofrermos pelas mudanças que aspiramos, mas sim de mudarmos nossa perspectiva para lidar melhor com todas essas mudanças. Que, independente de nosso julgamento de certo ou errado, seguirão ocorrendo.

Autora: Dulce Magalhães Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach. www.dulcemagalhaes.com.br
Autora: Dulce Magalhães
Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach.
www.dulcemagalhaes.com.br

Que Papel Você Quer Viver?

Por: Dulce Magalhães

O mundo é um contínuo fluxo de expansão e retração. Não há nada parado no Universo. Assim também ocorre conosco. Não podemos ficar parados em uma situação, ideia ou método, correndo o risco de sermos atropelados pelo movimento contínuo que a mudança produz.

Num mundo em constante movimento ou você está indo em frente, ou está ficando para trás. Mesmo que seja nosso desejo, não é possível ficar parada no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa. Imagine uma pessoa parada numa estação de trem. Há um trem que parte rumo ao futuro. Para a pessoa que ficou parada na estação, a sensação é de que ela ficou no mesmo lugar. Entretanto para as pessoas embarcadas naquele trem, aquela pessoa está ficando para trás. Ou você embarca no trem, ou vai ficar para trás.

Se você não avança em sua rotina de vida. Não se aperfeiçoa, não estuda, não muda métodos e hábitos, você até pode imaginar que esta mantendo uma situação, mas se existe alguém em algum lugar, que esteja aprendendo, se desenvolvendo e crescendo, essa pessoa é a referência e está lhe deixando para trás.

Não há como escapar da mudança, ela está por toda parte, dentro e fora de nós. E, apesar de todos os nossos esforços, só há dois papéis a ser exercidos na mudança: o de agente da mudança ou o de vítima. Como agente, você tem a responsabilidade de aprender a lidar com o novo, de enfrentar os desafios, de elaborar as soluções. Como exige mudar para viver o papel de agente, algumas vezes nos acomodamos no papel de vítima da mudança. Nos sentimos atropelados pelo ritmo das coisas, parece que o mundo se volta contra nós. Passamos a responsabilidade dos resultados de nossa vida para as mãos de outros e encontramos culpados para tudo o que não estamos alcançando.

Ser vítima ou agente é apenas uma questão de decisão. Quando pensamos em problemas vividos e superados em nosso passado, nos damos conta de que naquele momento o problema parecia maior do que nós mesmos, mas olhando em retrospectiva podemos perceber que ao superarmos a situação passamos a colocar o problema em sua verdadeira dimensão: um estágio para um novo patamar de vida, onde nos tornamos mais fortes, mais confiantes e mais capazes. Esse é o único objetivo dos problemas, nos empurrar para uma situação de progresso. A próxima vez que você tiver que encarar um problema se pergunte: o que eu preciso aprender com isso? Na resposta está sua maior oportunidade de vida.

Quando percebemos um problema não como obstáculo, mas como um desafio para nossa própria evolução, a motivação e a criatividade para lidar com isso serão maiores. É a nossa percepção que define a qualidade de determinado evento em nossas vidas e o que percebemos é aquilo que passamos a vivenciar.
Os papéis que temos a viver em nossa trajetória de mundo são fruto das escolhas que nos cabe fazer. Nossa vida é uma materialização do estado de consciência em que nos encontramos, ou seja, é resultado do nível de percepção e da qualidade das escolhas que fazemos. Mudar de mundo é mudar de olhar. Construir um resultado depende de como vemos e do que escolhemos.

Pense sobre os dois papéis básicos no cenário permanente da mudança e observe quais deles você mais escolhe viver, a vítima ou a agente de mudanças. Essa avaliação tem o potencial de transformar profundamente seus resultados pessoais, profissionais, relacionais, financeiros, enfim qualquer área onde você coloque foco e aja. Reflita sobre isso. Suerte!

Dulce Magalhães
Autora: Dulce Magalhães Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach. www.dulcemagalhaes.com.br