Clareza e Certeza

Há momentos na vida em que somos convidados a tomar decisões e rever processos.De tempos em tempos isso ocorre e vamos nos aperfeiçoando, mas volta e meia caímos na mesma angústia frente a decisões grandes e importantes.

O duro de uma escolha não é somente eleger o que queremos, mas abrir mão de tudo o que não foi escolhido. Então, para facilitar o processo fazemos lista de prós e contras, conversamos com amigos, mentores, especialistas, lemos a respeito do assunto, perdemos horas de sono revirando o tema na cabeça, voltamos a conversar com as pessoas mais diretamente envolvidas, e assim seguimos, nesse espremer, torcer e remoer, parav er se daí tiramos o suco da certeza. E a certeza não nos dá garantia de nada, é apenas um estado de alívio que nos tira da angústia, pois o mais difícil foi feito, que é tomar a decisão. O fato de alcançarmos a certeza não quer dizer que vamos acertar, nem que não haverão percalços.

Absolutamente, não é esta a finalidade da certeza, mesmo que fosse o que mais desejávamos. A certeza é apenas o final de um processo de eleição, quando, finalmente, temos a confiança suficiente para dizer a nós mesmos que determinada opção é a melhor para nós neste momento.

Uma decisão baseada na certeza não nos isenta de nada, não nos garante nada, não nos protege de nada. E está tudo certo que seja assim, pois assim é a vida e seus caminhos. A certeza é apenas uma forma mais convicta de lidar com a dúvida, não de eliminá-la. Sendo assim, buscar a certeza é natural, porém não é definitivo, nem nos libertará de todas as dúvidas ou dificuldades. Isso só a clareza poderá fazer e aí já é outra história. A clareza é fruto do insight, este estado de entendimento que não deixa margem à dúvidas e que denominamos de óbvio. É algo tão contundente que quando finalmente enxergamos ficamos surpresos de não ter percebido antes, pois não é a melhor da alternativas, é o caminho único e reto.

Óbvio é tudo aquilo que está oculto pela barreira de nossos paradigmas, de nossos modelos mentais, então olhamos a realidade pensando a partir de pressupostos sobre como deve ser, enquanto o óbvio está bem ali na frente dos olhos, mas não se enquadra em nossa definição e portanto não percebemos. Contudo, o fato de ser invisível não quer dizer que não exista. Pergunte a qualquer pássaro que tenha atropelado uma vidraça. Somos atropelados pelos processos invisíveis, porém palpáveis da vida, e não temos a menor noção do que sucedeu. Ficamos aturdidos com os processos, as alternativas, as decisões, as mútliplas oportunidades e desafios, e não percebemos que esse aturdimento é porque acabamos de topar de frente com uma barreira de óbvio que ainda está invisível.

É só quando nos permitimos olhar sem querer enxergar o que achamos que deve estar lá, quando nos abrimos para a possibilidade de ver o que estiver na frente, sejá lá o que for, é que enxergamos o óbvio.

A certeza é fruto de um processo racional, de análise, de estimativas, de comparações e de pesar entre possibilidades que podem nos apontar o melhor padrão, processo, caminho ou método. Desta forma, poderemos chegar a algum nível de certeza. Já a clareza vem do insight que é fruto da consciência, da percepção expandida, da intuição que nos permite saber mesmo sem conhecer. O conhecimento pode nos levar à certeza, é o caminho do entendimento racional, mas só a intuição pode nos conduzir ao insight, à percepção do óbvio, quando finalmente sabemos qual é caminho seguir, sem mais dúvidas, sem mais angústias.

O exercício intutitivo é o próprio processo criativo da vida, é dessa forma que renovamos o cabedal de padrões e nos liberamos para novas possibilidades de mundo. Se isso não parece óbvio é porque precisamos experimentar mais da intuição para perceber que as respostas já estão prontas, o mais difícil mesmo é formular a pergunta e se abrir para encontrar o que não está em nossa lista de visões e padrões. Talvez valha recordar um antigo e sábio conselho: há que ter olhos que vêem e ouvidos que ouvem.

 

Autora: Dulce Magalhães Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach. www.dulcemagalhaes.com.br
Autora: Dulce Magalhães
Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach.
www.dulcemagalhaes.com.br

Os ingredientes fundamentais para o amor maduro

Os sentimentos de ardor substituem a intensidade do fascínio (o pensamento obsessivo sobre o ser amado, a idealização, o intenso desejo de estarem juntos, os altos e baixos, os picos e os vales, o júbilo quando estão juntos e o desespero quando estão separados) com o correr do tempo. Mas, a menos que se rompa, o laço amoroso persiste. Casais casados há mais de quarenta anos me disseram que se sentem tocados emocionalmente quando se veem, como ocorria há décadas.

O desvelo é acreditar e deixar que o parceiro saiba que “você é importante para mim. Preocupo-me com o que aconteça a você. Vou zelar por você”. Dois grandes aspectos desse desvelo estão em se preocupar com o bem-estar do companheiro e estar pronto para ajudá-lo ou protegê-lo. Ao contrário da governanta assalariada, que tem um trabalho a fazer, você ajuda o seu companheiro porque gosta dele e porque sente algo especial por ele. Assim, a preocupação e a afeição são essenciais para o desvelo.

Expressões de afeto são formas óbvias de fomentar sentimentos de ardor no companheiro, tão óbvias que discuti-las pareceria supérfluo. Entretanto, com o evoluir do casamento, os gestos de afeto como abraçar, cochichar palavras de amor cada vez mais se limitam ao quarto de dormir. E, nos casamentos em conflito, podem desaparecer por completo.

A aceitação tende a ser incondicional no relacionamento amoroso maduro. Você consegue reconhecer as diferenças nas ideias sobre religião, política, e sobre as pessoas sem que se façam críticas ásperas nos pontos de divergência; você consegue aceitar as fraquezas do companheiro sem agir como juiz. Essa aceitação é profundamente tranquilizadora. Dá a cada um uma sensação de aceitação de si mesmos. Se o casal puder se aceitar totalmente – seja o que for – , pode relaxar e baixar a guarda. […] Claro que aceitação não significa fechar os olhos para as falhas do outro, mas, numa atmosfera de aceitação, você consegue elaborar com o seu companheiro tudo o que vem contra e interfere no relacionamento. Note que se o amor for condicionado ao “bom comportamento”, você nunca conseguirá a intimidade que é possível quando o amor é gratuito e o bom comportamento, uma meta elaborada pelos dois juntos.

Empatia é a capacidade de sintonizar com os sentimentos do parceiro – de experimentar, em certa medida, o seu sofrimento ou prazer, a sua dor ou alegria. Quando as pessoas se atormentam com preocupações ou fortes emoções, sejam de tristeza ou de euforia, podem temporariamente perder a faculdade empática.

Sensibilidade às preocupações e aos pontos vulneráveis do parceiro é elemento essencial quando se quer reduzir os sofrimentos desnecessários. Embora algumas pessoas tenham mais sensibilidade do que outras, trata-se de uma qualidade que pode ser cultivada. Se o parceiro reagir de forma exagerada a certas coisas que você faz, por exemplo, em vez de ser crítico ou defensivo, pare para considerar qual o problema que subjaz à reação. Explore com delicadeza os temores e as preocupações mais íntimas dele. Resista à tentação de atribuir a reação exagerada a um traço indesejável de caráter, como impulsividade ou necessidade de controle. Perceba que tais reações são sinais de vulnerabilidades ocultas.

A compreensão é semelhante à sensibilidade mas acarreta outra qualidade. Quando o parceiro fala de um problema, ele pode sentir-se compreendido sem ter de especificar todos os pormenores. Além disso, compreender significa ver os episódios com os olhos do outro. […] A compreensão mútua é uma das primeiras vítimas dos conflitos conjugais, manifestando-se pelo lamento: “Simplesmente não entendo porque ele (ela) age dessa forma.” Parte das dificuldades está em que os casais em conflito atuam em desacordo com o seu lado mais amoroso: assumem posturas rígidas ou tentam desprezar as atitudes do outro. Um problema mais sério é que, ao se intensificar o conflito, começam a interpretar mal as ações do outro. Logo os erros de interpretação acumulados liquidam com toda e qualquer compreensão possível.

O companheirismo é muito apreciado no início do relacionamento mas parece se dissipar com o passar do tempo. À medida que os dois se preocupam mais com problemas práticos como a renda familiar, o cuidado dos filhos ou a arrumação da casa, tendem a passar menos tempo juntos, e a qualidade do tempo que passam juntos também sofre. […] O companheirismo é componente essencial do bom casamento que se pode aperfeiçoar pelo simples planejamento. Exige que se considerem atividades de que os dois gostem – viajar juntos, decorar a casa, ir ao teatro – e determinar com antecedência os programas. Há também camaradagem na satisfação de estarem juntos durante certos momentos do dia-a-dia. Sentar juntos para ver televisão, fazer passeios, partilhar da rotina doméstica como lavar pratos e limpar a casa juntos são atos que fomentam companheirismo.

A intimidade oscila da discussão de pormenores da vida diária, à confidência de sentimentos íntimos que não partilharíamos com mais ninguém, ao relacionamento sexual. Em certo sentido, a intimidade é um subproduto do desvelo, da aceitação, da sensibilidade e da compreensão. Ao mesmo tempo, é debilitada pelos desentendimentos, pelas críticas indiscriminadas e pelas acusações e insensibilidade. Quando os casais resolvem ser críticos, punitivos ou controladores, têm de considerar o que perdem em intimidade. Quando se perde a intimidade por causa de brigas, com ela se perde uma importante força no casamento.

Amizade se refere ao interesse genuíno que você tem no outro como pessoa. Essa qualidade parece tornar-se ora unilateral, ora abafada em muitos, se não na maioria, dos casamentos. Algumas pesquisas demonstram que muitas mulheres não consideram o marido seu melhor amigo, e sim alguma outra mulher é que desempenha esse papel. A maioria dos homens, por outro lado, considera a esposa a sua melhor amiga. Você pode cultivar a amizade concentrando-se no seu companheiro como pessoa. Procure extrair dele ou dela o que interessa mais a ele ou a ela. Muitas vezes, para construirmos a ponte da amizade é necessária muita delicadeza.

As cortesias e os agrados são, por certo, cruciais para um casamento feliz. Mas o prazer deve ser mútuo; não só você pode propiciar satisfação ao seu marido pelo que você faz mas pode também partilhar dela. Às vezes, você tem de se livrar de hábitos há muito cultivados para fazer alguma coisa especial.

O apoio mútuo
dá um senso de que se é digno de confiança, uma rocha de Gibraltar em que o outro pode se firmar em épocas difíceis. Você talvez subestime o significado simbólico de estimular o parceiro quando ele está sem ânimo, ou de ajudá-lo a classificar e elucidar problemas quando estes parecem tornar-se insuportáveis. Ir em ajuda do outro nesses momentos de necessidade pode ter um significado enorme, demonstrando-lhe que você está sempre prestes a ajudá-lo com este esteio ou apoio. Algumas pessoas, por exemplo, são muito neutras quando o cônjuge quer partir para um novo empreendimento ou assumir uma nova responsabilidade. Sua hesitação em assumir uma postura positiva pode debilitar o senso de iniciativa e de capacidade do parceiro.

Aaron Temkin Beck é um psiquiatra norte-americano e professor emérito do departamento de psiquiatria na Universidade da Pensilvânia.
Aaron Temkin Beck é um psiquiatra norte-americano e professor emérito do departamento de psiquiatria na Universidade da Pensilvânia.

Luz e Sombra

Todas temos habilidades e dificuldades na mesma medida e de forma complementar. Uma pessoa rápida no pensar e no agir, pode ter como sombra a impaciência. Uma pessoa lenta na tomada de decisões, pode ter como luz a ponderação e a determinação.

Tudo no universo está em correspondência. Quando descobrimos nossos ângulos sombrios fica mais fácil descobrir nossa luz, nossos talentos. Além disso o que pode representar um defeito ou dificuldade para um, pode significar um talento para outro. Nenhum rótulo é definitivo.

O importante é ter a clareza das correspondências. Se há algo que não apreciamos em nosso comportamento ou resultados devemos ampliar nosso olhar e verificar qual a qualidade correspondente. Nosso foco deve ser no aprimoramento de nossa qualidade e não na eliminação da dificuldade.

Tudo bem que a gente precisa melhorar nos aspectos de nossa psique que estão dentro da sombra. Nos tornarmos mais tolerantes, mais responsáveis ou mais pró-ativos, ou seja lá o que for que tenhamos que melhorar, ao invés de nos acomodarmos em determinados comportamentos e repetirmos como justificativa que somos assim mesmo. Contudo, esse não deve ser nosso foco, nem onde colocar nosso maior empenho e dedicação.

Precisamos é mapear nossa luz e fazer com que seu brilho chegue ainda mais longe. Todos temos um pacote de talentos que precisam ser descobertos e desenvolvidos. Essa é a tarefa essencial no campo da vocação. Determinar quais qualidades são as mais evidentes e especiais em nós, por si só já representa uma nova forma de atuação.

Diagnóstico é a base para todo processo de mudança e aprimoramento, inclusive de nossos dons. Conhecer é o melhor método para transformar. E auto-conhecimento é o meio para desvendar o caminho da auto-realização.

Para descobrir dons e talentos é preciso se colocar em ação, testar suas habilidades, perceber as dificuldades, olhar para si mesma e compreender mais do processo pessoal. Passamos grande parte do tempo apontando para fora e desejando que as pessoas ao redor se modifiquem, contudo o que faz mais diferença no processo de nosso sucesso é nossa própria mudança.

Não precisamos ter medo de identificar e reconhecer nossas sombras, ao contrário, é muito desejável que assim seja, pois este é um caminho reto para identificar e reconhecer nossos talentos. Quando me dou conta de minhas dificuldades estou mais próxima de identificar minhas qualidades.

É importante levar nossa sombra para passear ao sol, ou seja, torná-la visível para nós mesmas. Esse ato em si já dissolve qualquer peso e clareia muitos processos. Ao percebemos que o desafio é interno, que a mudança exigida é a nossa, imediatamente os talentos necessários se apresentam. Há uma perfeição em todo o processo que só depende de nossa aceitação. Descubra sua sombra e sua luz se revelará. Reflita sobre isto. Suerte!

Autora: Dulce Magalhães Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach. www.dulcemagalhaes.com.br
Autora: Dulce Magalhães
Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach.
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Gestão de Talentos

A gestão de nossos talentos é a tarefa essencial para a construção do sucesso. Devemos nos tornar a pessoa certa atuando no lugar certo. Temperamento e vocação são mais importantes na utilização de talento do que formação técnica ou experiência. O talento é um elemento não mensurável, não tem cor ou consistência e as pessoas apenas desenvolvem talentos, não os adquirem. Assim ninguém será um grande músico ou bailarino, mesmo treinando horas seguidas, se não tiver o elemento talento para compor seu desempenho. Por isso se explica só termos tido um Mozart ou um Van Gogh. Talento é diferencial por ser único, intransferível e indispensável. Reorganize sua atuação dentro da organização em que trabalha e encontre outras formas de contruibuir para o sucesso coletivo, esse será o caminho para o sucesso individual. Tenha um consistente plano de educação, que lhe permita pensar de forma abrangente, usar sua criatividade, desenvolver interesses diversos e a imaginação, além do treinamento técnico. Outro elemento importante no fomento de talentos é o ambiente. Atue no sentido de criar um ambiente de aprendizagem, colaboração e motivação ao seu redor. Isso atrairá outras pessoas talentosas para sua esfera de atuação e a soma de talentos produz sucessos extraordinários. Mudança, flexibilidade, agilidade não são atribuições de um produto ou linha de produção, são atributos humanos. Pensar com a mente, ver com os olhos, perceber com a intuição, são as condições si ne qua non no novo ambiente empresarial. Nenhum equipamento poderá substituir estas capacidades e gerar idéias criativas e soluções práticas. É chegado o momento de atuar com pessoas, ao longo da curta história empresarial, se buscou com muito afinco a empresa que funcionasse sem seres humanos. Uma organização enxuta, afinada, funcionando ininterruptamente a baixíssimos custos. A verdadeira utopia da máquina. Entretanto quem é que vai querer um mundo destes? Todos querem pertencer a uma tribo, participar da construção de sua sociedade, usufruir de direitos que derivam de deveres. A gestão de nossos talentos não deve ser terceirizada, delegada à organização, à escola ou a um departamento. Essa é nossa tarefa, nossa responsabilidade. É preciso fazer um diagnóstico e reconhecer nossos pontos fortes e nossas vulnerabilidades. A partir daí elaborar um plano educacional para aperfeiçoar as qualidades e diminuir ou eliminar as dificuldades. É preciso investir no desenvolvimento pessoal. Uma nova visão supera e elimina antigos paradigmas. Assim se dá a reciclagem permanente do mundo. Vamos dar um salto para vivenciar com audácia os desafios que se apresentam a nossa frente. Urge mudar, mudar e mudar. Isto só será possível se aprendermos a compartilhar com outros indivíduos os problemas e as vantagens deste maravilhoso mundo. É o sucesso colocado a serviço do bem comum. Reflita sobre isto. Suerte!

Autora: Dulce Magalhães Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach. www.dulcemagalhaes.com.br
Autora: Dulce Magalhães
Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach.
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Porque o homem ao se separar de sua esposa se separa dos seus filhos?

Uma questão de mulher muito atual que chega até mim no consultório são mulheres que me contam a frustração com o ex-marido que deixou de ser pai ou deixar de ser marido. Escuta essas mulheres começarem dizendo que “ele era um excelente pai” e/ou “ele queria muito a minha gravidez” e terminarem com “agora ele mal vê o nosso filho”. Ou até pior “ele sempre acha que dá muito na pensão”.

É, as histórias não tem sempre um final feliz. Essas mulheres cujo faço o acolhimento de suas dores são mulheres variadas: possuem idades diferentes, o tempo que em se mantiveram casadas varia e suas condições econômicas são igualmente discrepantes. Mas todas falam, sem exceção, descrevem com pesar do afastamento entre seus filhos e o pai deles, algumas se culpam por essa consequência de seus atos. Outros enxergam apenas os erros do pai de seus filhos e não a sua parcela de responsabilidade. Mas para todas, em uníssono, a separação foi um período doloroso mesmo que elas que tenham colocado o ponto final no casamento. E é unanimidade a dor que sentem pelos filhos em não terem a presença do pai, pelo ciúmes da nova companheira do pai, pelo ciúme do pai com o novo companheiro da mãe e com a quebra do ideal de família margarina! Dói. Dói muito enxergar a realidade que não condiz com a promessa frente ao padre de que nada irá nos separar. A realidade é oposta às fantasias, e enxergar o real embaraça a vista com lágrimas que traduzem a linguagem da alma. Dói tirar a venda. Muitas pessoas nunca a tiram. Mas é justamente quando eu me deparo com o real que me possibilito a me movimentar com maior firmeza na vida, os pés conseguem alcançar o chão e as asas se tornam mais operantes.

Lógico que as questões acima não são regras. Há vários casais que se separam e após isso há um fortalecimento do pai enquanto pai e da mãe enquanto mãe. Isso ocorre, uma vez que as brigas, o ciúme e os incessantes ataques entre a esposa e o marido já não atravessam mais os filhos. Os filhos vivem em dois lares com maior possibilidade de paz e harmonia. Os filhos gostam de perceber seus pais felizes e podem ser até gratos quando o motivo dessa felicidade se chama madrasta ou padrasto.
Conhecemos vários filhos egoístas que se colocam contra os parceiros dos pais. Mas também conhecemos famílias constituídas com mãe e mãe, pai e pai, filhos adotados, irmãos só por parte materna e só por parte paterno. Isso tudo junto, misturado e convivendo com respeito – cada um na firmeza de seu papel. A plenitude dos papeis familiares são fundamentais para relacionamentos saudáveis. O pai deve ter a função de orientar, guiar, corrigir, limitar e dar carinho. Eu não falo aqui que para isso eles devam estar todos os dias em contato com seus filhos. Eu falo de qualidade e não de quantidade de tempo. Existem mães que abdicam de seus trabalhos para cuidarem dos filhos, mas que esses passam a maior parte do tempo na companhia da televisão e demais artifícios eletrônicos.

Então o que vale é a qualidade de um encontro. Isso justifica o porquê apenas alguns segundos vividos viram recordações eternas, quando tocam nossos corações. É comum crianças que perdem seus pais com poucos anos de vida terem alguma recordação do rosto do pai, do cheiro da mãe e ás vezes essas recordações são de toda uma cena vivenciada pela família. Incrível lembrar de tanto quando se tinha apenas três aninhos de idade. Nunca ninguém irá esquecer de detalhes do dia que nasceu seu filho, do casamento, da formatura ou da grande promoção de emprego. Mexeu com a emoção mexeu com a memória de longo prazo. Então a educação dos pais ela é efetiva a partir de momentos que foram cercados por raiva, amor intenso, sentimento de rejeição, choro e alegria extasiante. É isso.

Essas mulheres que se queixam dos pais de seus filhos estarem se tornando estranhos aos filhos, nunca me deram uma resposta também do porque acreditam nessa ruptura de seus ex maridos com a única coisa que os matem ainda ligados: os filhos! Ah, os filhos…. justamente por serem eles o único laço que ainda mantêm esse homem e essa mulher unidos – seja para se atacarem ou para expressarem respeito, só sobra eles.

E é por isso que tantos filhos viram joguetes numa separação conjugal. Fazer o filho de joguete é criminar o ex e a ex na frente dele, é acusar de abandono, é criticar os novos parceiros que o/a ex encontram, é dizer que a casa ficou mais feliz com a saída de um deles e é também ignorar a questão como se a separação não tivesse que ser elaborada através de diálogos e mais diálogos.

E, os filhos, por serem a única sobra do resquício de algo que deveria durar para sempre e não durou, no rosto dos filhos está estampado uma mágoa do que deveria ter sido, mais não foi. O filho escancara a frustação de dois adultos que não conseguiram fazer o final ser feliz para sempre!

Sempre acreditei que a ausência diz muito. Marcar e não vir é querer se fazer lembrado e é um silêncio falante. Dizer que vai pagar a pensão e não o fazer, mesmo tendo dinheiro, é querer se fazer notar! É querer que a ex-mulher sinta a falta dos frutos que o trabalho dele proporcionam a família. Ou seja, que sinta a falta que ele faz com o bem estar material que proporcionava aos filhos e a ele. Idem a combinar buscar os filhos e não buscar. É sabido por eles que nada machuca mais o coração de uma mulher do que mexer com os seus filhos.

Na grande maioria das vezes o pai não faz isso propositalmente, mas o faz inconscientemente. E ele não quer fazer os filhos dele sofrer. Ele realmente os ama. Mas o egoísmo faz cegar, e ele quer atingir essa mãe de alguma maneira dolorida. E o trunfo mais precioso é mexer com os filhotes da leoa. Repito aqui que muitas vezes não é por maldade consciente, mas por impulso inconsciente. Que com terapia é tratável. É possível reverter essa fragilidade dos homens, que proveem muito de sua criação e até da relação que tinham com suas esposas em seus casamentos. É possível criar relacionamentos emocionalmente mais saudáveis após o rompimento de um casamento. Afinal pai e mãe são eternos para qualquer filho, mesmo após a morte real.

As mães e pais devem criar seus filhos, inclusive os meninos, com mais maturidade emocional e machismo. Devem criar uma sociedade com mais respeito às mulheres e mais atos firmes. Vivemos numa sociedade altamente machista. No inconsciente coletivo perdoamos o pai que se afasta completamente dos filhos, mas achamos imperdoável a mãe que abra mão da guarda parcial dos seus filhos para que fiquem com o ex-marido. Estranho nosso modo de pensar e temos que evoluir muito na questão de gêneros. Assim já iremos educar os nossos filhos a se sentirem responsáveis e arcar com qualquer consequência dos seus atos. Filho não é responsabilidade da escola, dos avós, do Conselho Tutelar ou da Dilma. Filho é escolha, decisão e responsabilidade de pai e mãe. E ponto. E se eu me sinto responsável pela minha escolha eu jamais a abandono mesmo sobre um tornado. Que possamos segurar firmemente a mão de nossos filhos, diminuindo suas angústias estruturais humanas, para transmitir então que filho a gente não abandona fisicamente e emocionalmente.

Intolerância as frustrações da vida é o lado infantil se manifestando em um descontentamento constante com cada pessoa com que se relaciona. Sobretudo se tratasse do par romântico. A fase da paixão passa e o que fica é o real. Mas é insuportável se haver com o real, quando no inconsciente o pensamento de menino lateja o tempo todo. Lá no inconsciente fica o registro do que assistimos e ouvimos quando crianças. O que lá está gravado, é o que executamos em comportamentos em nosso dia a dia. E se lá há a crença central de que existe o par ideal, que o casamento será eterno e os filhos realizaram todos nossos sonhos não realizados por nós mesmos certamente o comportamento será de esquiva a dor.

Há mães que se afastam dos filhos após separação. Há pais e mães que se separam dos filhos em virtude da não aceitação de seus novos parceiros amorosos, ou do temor de que seus conjugues atuais possam vir a não aceitar. Há mães e pais que jogam seus filhos no lixo também. Há várias personalidades e jeitos diferentes de se portar. Por isso não há resposta única a reflexão principal desse artigo.

Concluo assim que esse afastamento de pais e filhos é um traço infantil desse pai (que sempre é adulto) frente à problemática. É quase uma birra. E, paradoxalmente, esse afastamento é para se fazer presente.

Gabriela Yoná Hoffmann Pedagoga. Psicóloga organizacional
Gabriela Yoná Hoffmann
Pedagoga. Psicóloga organizacional

É no Tempo que fazemos tudo acontecer!

Tempo nada mais é do que um processo mental. Todos já vivemos a experiência de aguardar por cinco minutos, que nos pareceram horas, ou ter uma hora para terminar algo extenso, e esta uma hora passou como se fosse poucos minutos. Tempo depende portanto de organização mental. Eleger prioridades e aplicar disciplina para sua execução.

Priorizar significa tomar decisões, escolher entre alternativas. Precisamos construir o hábito de priorizar atividades em nossa vida. Tudo o que fazemos é resultado de hábitos que possuímos, assim se quisermos alterar nosso uso do tempo, temos que mudar nossos hábitos. Planeje sempre o seu dia, porém não se esqueça de deixar 25% não planejado para imprevistos, pois eles acontecem.

Habitue-se a ter tempo! Nossa cultura popular nos faz acreditar que só estamos produzindo bem, quando usamos todo o tempo disponível. Temos que rever nossas crenças e ter tempo para refletir, organizar, pensar e relaxar. Assim estaremos com equilíbrio suficiente para saltar de problemas para soluções. Ao planejar estabeleça critérios de prioridade, como por exemplo: essenciais (precisam ser feitas), complementares (atividades para delegar), desejáveis (se não forem feitas não atrapalharão em nada).

Não esqueça de planejar atividades pessoais como ir à academia, sair com os filhos, estudar, atividades de lazer, etc. Se não nos condicionarmos a ver nossa vida como um todo, corremos o risco de perder boa parte dela. Cuidado também com a protelação, não deixe nada para depois, comece e termine. Todas as pendências que permitimos em nossa vida acabam usando um tempo em nossa mente e impedem que nossas atividades fluam com o ritmo desejado.

Dentro do possível não deixe nada pendente. Trabalhe com cronograma e estabeleça uma data alvo anterior ao limite que você possui. Para desenvolver a tomada de decisões é importante realizar o descarte: eliminar objetos e papéis que não se usa mais. Porque temos que estar mais leves e livres para viver nossa vida. Tempo e vida são sinônimos.

Faça uma experiência, troque a palavra tempo de suas frases corriqueiras pela palavra vida, por exemplo, quando você diz: “Não tenho tempo para isso agora.”, você na verdade está dizendo: “Não tenho vida para isso agora.” Pense com profundidade nesse conceito e muitas das suas decisões ficarão mais fáceis e sua vida mais fluída.

Por fim, o passo mais importante na boa gestão do tempo: diga SIM para o que você quer e NÃO para o que não quer. A gente vive fazendo o contrário, assumindo compromissos que não desejamos e abrindo mão de atividades que queremos viver. O uso do tempo é o resumo da qualidade da vida. Ao fazer um bom uso do tempo você está construindo todas as condições para desfrutar de uma boa vida. Reflita sobre isto. Suerte

Autora: Dulce Magalhães Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach. www.dulcemagalhaes.com.br
Autora: Dulce Magalhães
Ph.D em Filosofia, escritora, palestrante e coach.
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