Afinal, o que é o Machismo?

A polêmica sobre igualdade de gêneros e sobre a violência doméstica tem incêndiado as ruas e as redes sociais do Brasil.
De fato, são questões pertinentes pois segundo a pesquisa feita pelo Instituto Avon e Data Popular 96% dos jovens brasileiros afirmam viver em uma sociedade machista.

Segundo a Wikipedia “Machismo […] é a crença de que os homens são superiores às mulheres.” mas para muitos este adjetivo parece uma palavra tão distante. Às vezes soa como um xingamento tão ingênuo e ofensivo. Outra vezes, parece meio fora de contexto. Datado.

O machismo nada mais é que uma forma de sexismo que padroniza as pessoas, coloca-nos em caixas estereotipadas que afetam a maneira como vemos o mundo. Então, se você é um cara macho de verdade tem que agir igual macho, exemplo disso é quando as mulheres dizem a célebre frase: Homem é tudo igual. Essa frase é puramente machista e categoriza o comportamento masculino como depravado, vendo o homem como galinha que engana as mulheres e estas são invariavelmente as vítimas, as abusadas e asenganadas..
O homem por seu lado muitas vezes tem que agir assim mesmo, porque caso contrário, a sua sexualidade é posta em causa pela sociedade.

Esta questão acabou inflamando protestos pelo país e abordada no exame do ENEM deste ano atingindo mais de 7 milhões de alunos.
A pergunta da discórdia foi uma das frases mais célebres do feminismo: “Ninguém nasce mulher; torna-se mulher”, escrita por Simone em seu livro “O Segundo Sexo”, publicado em 1949. Essa proposição afirma que ser mulher (ou homem) é uma construção social e histórica. Na prova, os estudantes tinham que responder para que contribuiu essa ideia. Eis a resposta correta: “Organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero”. E o que era apenas mais uma pergunta do teste virou um grande debate nas redes sociais – mas, desta vez, influenciado pelo pensamento de uma das maiores autoras contemporâneas sobre um dos assuntos mais urgentes deste século.

A verdade é que a cultura machista está impregnada na sociedade brasileira. Vejam alguns exemplos algumas de muitas situações aparentemente normais que agridem, sim, as mulheres:

1. Ter que saber realizar tarefas domésticas pra ser considerada uma mulher de verdade. Ouvir sempre: “Você não sabe cozinhar? Assim não vai conseguir casar nunca, tem que ser prendada.”

2. Quando a conta da mesa é pedida, ela é sempre direcionada ao homem.

3. Ouvir que mulher não sabe dirigir ou ter que aturar piadinhas deste cunho o tempo todo.

4. Quando as pessoas ainda se surpreendem por ela ser inteligente ou bem sucedida.

5. Tolerar cantadas grosseiras e piadas invasivas de desconhecidos na rua.

6. Ser desprezada quando opina sobre assuntos “tipicamente masculinos” como o futebol e lutas, mesmo que ela saiba bem do que está falando.

7. Ser xingada de “puta, piranha, vagabunda, ordinária, cachorra” por exercer sua liberdade usando qualquer tipo de roupa que quiser.

Piadas de meninas para menino lerem
Piadas de meninas para menino lerem

O Brasil é um dos países no mundo com maior índice de violência doméstica e sexual, muito por causa da forma sexista que a sociedade moldou.

Precisamos acabar com esses pensamentos rotulados, celebrar as diferenças e acabar com essa história de rosa x azul.
Temos que mudar com este paradigma de gêneros e passar a julgar as pessoas pelo que elas são e não pelo seu gênero, raça ou religião.

Veja como denúnciar violência doméstica: No Brasil há um número específico para receber esse tipo de denúncia,180, a Central de Atendimento à Mulher. O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano e a ligação é gratuita. Há atendentes capacitados em questões de gênero, políticas públicas para as mulheres, nas orientações sobre o enfrentamento à violência e, principalmente, na forma de receber a denúncia e acolher as mulheres.

O Conselho Nacional de Justiça do Brasil recomenda ainda que as mulheres que sofram algum tipo de violência procurem uma delegacia, de preferência as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), também chamadas de Delegacias da Mulher. Há também os serviços que funcionam em hospitais e universidades e que oferecem atendimento médico, assistência psicossocial e orientação jurídica.

Melissa Corrêa
Melissa Corrêa
Designer, Marketeira e Viajante