Velha é a vó!

Por: Valter Ostermann

Para nós, meninos ainda bem meninos, a vó da gente era velha. Podia ser bonita, sim, que toda avó é, mas era velha. Para elas, as avós daquele tempo, cinquenta anos era o limite. Vestiam-se sobriamente, não ousavam ter a menor ousadia, avó tinha que ser matrona, respeitável. Pó de arroz e água de colônia, no máximo. Para ir à missa. De véu!

Usavam coque, que para nós, meninos ainda bem meninos, era penteado de velha. Assim foi a geração de minhas avós, e de minha mãe, e de minhas tias…
Hoje, quando já não sou mais menino bem menino, virei menino adulto, percebo quanta vida jogaram fora, por renúncia.
A moral hipócrita daqueles tempos em que os cinquentões tinham que ter cadeira de balanço e as cinquentonas não podiam ter atrativos, ou melhor, tinham que escondê-los, exigia a antecipação do fim dos prazeres. Moral católica, que nos carregava de culpas sem desculpas. Leva tempo para livrar-se do jugo.
Livrei-me. Minha geração inteira está livre, ou quase toda. Mulheres de cinquenta, agora, são mulheres. Plenas, bonitas, atraentes, cheirosas, gostosas. Aprenderam que o nome do jogo é ser feliz, sem jugo e imposições, a vida está aí para ser curtida. Prazer não é pecado. Rir não é pecado. Desejo também não.
Vivi duas épocas, duas realidades, a atual é a melhor. Elas, as mulheres de minha geração, concordam. São mães, avós e jovens. Muitas continuarão jovens até o fim, já que agora aprenderam que envelhecer é uma opção.

Velha é a vó. A tua!