Tristeza em Rosa e Azul

Pensei em escrever sobre a alma feminina e a tristeza que muitas vezes lhe invade o peito. Decidi intitular de “Tristeza Cor de Rosa”, quando me dei conta que a expressão só reforçava estereótipos que precisam ser combatidos, estereótipos de comportamentos que não condizem com a realidade. Afinal, quem disse que rosa é cor de mulher? Minha mãe prefere azul e eu prefiro branco… De igual modo, quem disse que tristeza é coisa da alma feminina?

Tristeza é ponta de flecha que não escolhe gênero, entranha igual não importando o nome, o endereço, a cara.
Não há como evitar as tristezas de entrarem no lar da alma, mas somos nós que a convidamos (ou não) para sentar, tomar café, e, muitas vezes, passar verdadeiras temporadas. As tristezas são bem-vindas, mas precisam saber a hora de ir embora. Já para as alegrias, nem pensar em fazer visita de médico. Venham e fiquem, se instalem para sempre. Na noite tristeza é óculos escuro, alegria é clarão do luar.

Tristeza é a mais perfeita prova da teoria de Einstein. Quando entra com tudo, é absolutamente interminável. Temos plena certeza de que “Jamais passará”. E quando finalmente passa, nos damos conta de que, afinal, não foi tanto tempo assim. Pensemos: na eternidade de nossa existência humana, as tristezas não são mais que pequenos pontos que se esvanecem. Já as alegrias, ah, as alegrias, são nós firmes unindo as linhas de nossos passos numa jornada de felicidade.

O segredo é receber a tristeza com certo distanciamento, olhar para ela com cautela, certificar-se que ela não se avolume, analisá-la buscando a medida certa e, com isso, encontrar a dosagem certa do remédio que muito bem pode ser apenas o tempo.

Já para a alegria, a ideia é agirmos como um imã, é ter um novo olhar sobre tudo. Homens e Mulheres, repensando nosso modo de ver e viver cada momento, cada pessoa. Não se trata de riso exagerado nem de euforia tola. Se trata de respirar fundo, inundando o peito com tranquilidade, de inalar perfume de flor, perceber o arco-íris, sentir o sorriso. Permitir-se ser feliz! Sim, permitir-se porque é uma escolha sua, minha, nossa!

Então, sejamos felizes!

Liese Cavalcanti, mãe, avó, mulher apaixonada e pensadora
Liese Cavalcanti, mãe, avó, mulher apaixonada e pensadora